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Verônica na infância

                 Mais uma vez o tilintar das chaves na abertura da fechadura anuncia a entrada de Verônica na sua casa. A mesma casa de segunda mão terá mais uma vez sua dona em seu interior.
                 Verônica lança a bolsa no sofá já gasto. Ela até poderia pendurá-la, mas um dia estressante faz com que pensar onde colocar as coisas nunca seja prioridade.  Logo após é sua vez de descontrair o máximo possível seus músculos deixando o seu corpo se entregar à gravidade, ou seria ao cansaço, e cair no sofá. O controle sempre está no lugar certo, sempre no ponto de ser pego facilmente apenas estendendo o braço. Um clique no botão e a claridade da casa não é apenas feita pelas luzes que entram pelas frestas de portas e janelas. O brilho do aquário tecnológico clareia a sua casa e reflete em sua retina. Um olhar mais minucioso naquela cena poderia entender todo aquele cenário como uma seção de hipnose, mas a cabeça de Verônica apesar de tão cansada não era tão fraca para isso. Sabia que as notícias tinham sido manipuladas e mais uma vez a mídia devia estar escondendo alguma notícia que seria mais útil do que o casamento do filho da emissora, porém seus olhos estão cansados de tanto trabalhar, senão pararia para ler um bom livro. Mesmo que tivesse tempo atualmente em sua vida sobra pouco tempo para descobrir bons livros, o máximo que faria seria ler algum livro novo que falar de um amor clichê de uma adolescente que tem problemas sociais, mas ama um garoto que na vida real nunca iria querer ela. Enfim é sempre bom ter alguém nos enganando e dizendo que vamos ter um futuro melhor. Verônica achava que o futuro poderia ser melhor, mas nem por isso deveria ser tão bobo quando os best-sellers atuais.
                 Em cima da TV parado com um pouco de poeira e mesmo com pouca luz Verônica pode observar uma porta retrato onde se via uma criança muito bonita. Sorria enquanto sua mãe fazia alguma graça. Aqueles dentes faziam Verônica ter certeza que todo o dinheiro que ela gastou em tratamentos ortodônticos valeram a pena. Ainda assim aquela foto era linda, a beleza infantil e o amor incondicional presentes na foto faziam bem. Enquanto tira a poeira do retrato Verônica caminha e acende a luz.  Quanta cor pode ser vista naquela foto. Verônica olha ao redor e percebe que bom contrate a sua vida teve. Sempre soube que tons pasteis amadurecem, mas não sabia que eles fazer parte de uma vida madura. 
                 Andando para a cozinha apoia o retrato no balcão pega um chá gelado e fica lembrando de coisas, mas não do dia daquela foto, sua memória não é boa se quer para saber o jantar de ontem então lembrar especificamente de um dia na sua infância não seria uma habilidade sua. Mesmo assim era bom lembrar de quando era criança. A felicidade de não ter que pensar em muita coisa. É meio impossível não ser feliz quando uma das maiores obrigações é não voltar sujo para a casa e lembrar sempre de fazer um presente a mão no dia das mães e dos pais. "Tempos Bons!" As palavras saíram da sua boa e se juntaram com o som que saia da TV. 
                 Olhar pra TV depois de ver aquela foto lembrou Verônica de quando ela era adolescente. Naquela época sim sua cabeça era fraca para tudo. Via algo que achava legal e já era motivo para mudar. Mudou de gosto musical, mas vezes do que a Gretchen casou, no tempo dela notícia do casamento da Gretchen era coisa que saia em revista e no jornal. Pensando bem: "Será que o jornal melhorou?". Teve amores platônicos por caras que tinham idade para ser seu pai.  Teve amores platônicos por meninos com idade mental de 7 anos, e mesmo assim se achava inferior. Hoje ela chama isso de síndrome de amor. Lembrava o quanto foi ridículo aquela carta mandada para o garoto com um beijo impresso pela sua boca usando o batom da sua mãe.  Antes aquilo tinha lhe dado borboletas no estômago hoje lhe faz apoiar o queijo na sua mão e olhar fixamente para aquela foto. Olhar para o seu sorriso na foto, gargalhar um pouco, tomar um pouco de chá enquanto lembra do seu corpo na adolescência. Vai para o quarto e quando liga a luz já vê o seu reflexo no vidro com nitrato de prata que todo dia a obriga a se arrumar antes de sair de casa. Porém hoje lhe passa uma imagem amigável percebe que mesmo depois de um dia cansativo seu corpo é lindo e agrada aos seus olhos diferente daquele corpo meio gordinho da adolescência. Hoje ela entende o seu corpo como seu, não como um corpo gordinho ou magro de mais. Apenas o seu corpo.
                 Seu celular toca. É uma mensagem das amigas chamando para sair. Voltando para a tela inicial vê as horas e percebe o quando tempo ficou ali pensando em si. É estranho ter consciência que a vida está mudando, é estranho pensar que não imprimem fotos, é estranho pensar que aos 60 anos ela vai ter que encaram um tablete ou algo mais high tech que ainda nem foi inventado para lembrar da sua fase adulta. 


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