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E nossas crianças ?

         A copa da firma de Verônica fica entre xícaras de café, sonhos, pão-de-queijo e mais um universo de comida e ao redor dela fica os funcionários, alguns escolhendo a comida mais saudável e outros tentando ainda encontrar o que tem de mais rápido para comer.
       -Ah não! Já acabaram as saladas com atum.
       -Você quer realmente comer peixes com folhas?
       -Barbará, só lembrando que eu te chamei para me acompanhar e não pra ser a comentarista das minhas escolhas, não quero meu passarinho particular.
       -Só lembrando que Galvão, não é Gavião.
       -Só lembrando que pensar bem com Fome não é meu forte.
       -Então quer dizer que minha Vê tem defeitos
       -Sabe? Pensando bem, eu acho que eu quero sim que você se envolva com as escolhas, tipo a escolha de onde vamos sentar agora.
       -Droga! Achei que ia escolher se você deve comer coxa de galinha frita com purê de batata, ou uma porção de coxinha com refrigerante.
      -Por favor, só escolhe a mesa! Estou com muita fome.
       Sentar perto da janela só deixava os sorrisos das duas bem mais iluminados, muito além do brilho interior. Luzes sempre deixam qualquer mulher linda em um estúdio de gravação, mas mulheres normais, sorrindo em luz natural e comendo é uma visão de felicidade real que nenhum catálogo de moda conseguirá vender.
       - Bah! Sorrir com você é sempre cansativo sabe!? Por que será que não trabalhamos no mesmo setor da firma mesmo?
      - Porque o nome disso é empresa e não shopping.
      -Você nem gosta de ir ao shopping.
      -Mas eu tenho certeza que se eu te oferecer um presente a sua escolha você iria ao shopping comigo hoje depois do trabalho.
      - Pelos seus presentes hipotéticos eu faço qualquer coisa nesse mundo, inclusive ir ao shopping.
       Verônica sabia que se Bárbara fizesse uma careta mais feia do que ela via agora a sua amiga poderia ter problemas com os músculos da face, então ela resolveu mudar de assunto.
      - Sabe Bárbara as vezes eu me pergunto o que estou fazendo aqui.
      - Oi!? Crise de meia idade detectada.
      - Não Boba! Olha ao nosso redor, cinco anos atrás eu acho que esse prédio nem existia.
      - Você quer virar arquiteta?
Uma sobrancelha arqueada.
      - Eu sei que você não é nem tão chata nem tão inocente.
      - Mas você não estava com fome? Vai comer garota!
      - Sabe eu me pergunto se eu vou continuar a ser feliz amanhã.
      - Verônica, sabe aquilo de viver o momento?
      - Sei
      - Então, eu posso comer em paz?
      - Eu fico aqui pensando, porque as pessoas falam tanto da fome das crianças da África. E ninguém para pensar sobre os planos de educação do nosso país para as nossas crianças.
       - O.K. Verônica, jamais pensei nessa exata analogia, come um pouco e me fala os seus pensamentos, acho que estou precisando da sua voz como música de fundo da minha refeição.
       - Eu não quero cantar, eu quero conversar com você.
       - Verônica eu só acho que as vezes fico com preguiça de falar sobre a política do nosso país, entre comer e falar sobre política eu prefiro mastigar minha comida muito bem, para ajudar na minha deglutição.
        - Mas me irrita imaginar que é mais simples falar sobre crianças que a maioria de nós jamais verá. E aquelas que estão do nosso lado são esquecidas. Ninguém quer colocá-las a mesa nem enquanto assunto.
        -Você quer falar sobre a criminalização desses seres não é !?
        - Bem que eu falei que você não era inocente. Uma piscadela.
        - É que eu as vezes sou bem preguiçosa e sei até usar isso ao meu favor. Uma piscadela resposta
        - Mas você já imaginou ser um jovem, cujo os melhores exemplos são pessoas semianalfabetas que faturam rios de dinheiro, aí essa pessoa, pois eu acho que o jovem é um indivíduo na sociedade, sai do ensino fundamental, vai para o ensino médio sem problema, mas quando ele finalmente tem que entrar numa faculdade, que seria algo que daria um ensino para ele ganhar um dinheiro legal, esse jovem esbarra em um vestibular que sua escola nunca o preparou. Ninguém diz para esse jovem que ele vai ter que passar um funil ...
      - Mas não é funil, é coador, é peneira mesmo.
      - Então você quer falar?
      - Todos queremos falar Verônica, mas é que está todo mundo cansado para isso, ou meio cego. E com isso fica sempre mais fácil conversar sobre as crianças da África. Elas estão no jornal, na capa da revista.
      - Mas e quanto as nossas crianças? Quando elas estarão em jornais.
      - Basicamente se for rica, quando ela morrer de um jeito muito medonho e nojento e principalmente se o sobrenome dele tiver ancestralidade europeia, se for pobre, também será por motivo de morte, mas o nome dela nem vai ser noticiado.
      - Nem sempre é assim

      - Mas na maioria das vezes sim. E a maioria domina. E podemos conversar mais tarde? O sinal tocou e nós temos que trabalhar enquanto ainda temos um emprego.

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